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Uma tragédia anunciada

Diego do Amaral Sampaio*
     

Quem esteve no último seminário de formação sindical, ano passado, realizado pelo SINFA-MA, em Balsas-MA, ouviu que fui a Fortaleza-CE, dias antes, e participei de um curso de marketing sindical. Mas o curso não tratou apenas deste marketing; tratou também de outro: o da destruição dos mesmos. Anos-luz à nossa frente, patrões privados e o poder público atuam numa frente, planejando, a longo prazo, subliminarmente, minar a representação dos trabalhadores.

O que ouvi lá, transmiti aos companheiros de seminário, numa palestra, mostrando-lhes, de forma simplificada, mas incisiva, como os patrões, privados e públicos, trabalham para desconstruir a atuação dos trabalhadores. Falei da movimentação em vários países, incluindo os Estados Unidos da América, e adverti que nosso calvário aqui (não é a Quaresma que queremos!) estava próximo.

Alertei para a necessidade de lutarmos e impedir a evolução do movimento entre nós brasileiros. Mas já recebemos os primeiros sinais da perseguição. E não a conta-gotas: sua violência atropela a Constituição Federal e fere de morte princípios e conceitos tradicionalmente estabelecidos. A determinação é matar-nos aos poucos, vencer gradualmente nossa resistência.

Não devemos acreditar que as reformas pretendidas visam desconsiderar os privilegiados. Aplica-se, aí, muito bem, o bordão: “Isto é conversa para boi dormir”. Basta ver que não ouvimos reclamamações das classes favorecidas com os privilégios. As que têm como aumentar seus ganhos, criar mecanismos para suprir eventuais perdas e driblar obstáculos legalmente instituídos. Alguns com o poder que lhes damos pela delegação de competência, por intermédio do voto. Temos até uma deputada sugerindo a extinção dos conselhos de classes profissionais, pela via do não pagamento das contribições aos mesmos.

Os privilegiados lutam com unhas e dentes pelas suas armações; já nós nos “armamos” com incômoda paciência, perdendo espaço e sacrificando nossas conquistas. Construindo inseguro futuro para nossos filhos, netos e demais descendentes. Há quem, como os europeus, que trabalham para 200 anos adiante do seu tempo. Nós preferimos esperar os maus acontecimentos para remediá-los, quando a receita é prevenir.

O que fazer? Fortalecermos nossas trincheiras, conscientizarmos nossos companheiros, aumentarmos o clamor contra as desigualdades sociais e criarmos estratégias para lutar pelos nossos direitos. Não temos quem nos substitua neste fazer valer. Sob pena de eles nos matarem pouco a pouco. Basta observar o empenho com que defendem seus privilégios, aplaudem as medidas que os beneficiam e ignoram as que podem submetê-los a qualquer sacrificio.

Nossa postura deve ser a de valorizar nossas entidades, estimular a filiação aos sindicatos, comparecer ás assembleias, sugerir modelos de combate á indolência dos companheiros e ser voz ativa nos movimentos que enfrentam os desiguais desafios. Notem que o brado pela manutenção dos privilégios vem, sorrateiramente, ganhando espaço; e cada vez se ouve menos o grito dos oprimidos. Não devemos esperar presentes do governo ou de quem detem margem de poder.

Nós, trabalhadores, cada vez menos alimentamos boas e proveitosas expectativas no futuro, A tragédia que se avizinha vem sendo há tempos anunciada. Deus tenha piedade do pobre trabalhador brasileiro!

(*)Fiscal Estadual Agropecuário (AGED-MA) e presidente do SINFA-MA

     

 
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